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Conversas de autocarro #2

por *Márcia S.*, em 12.07.17

Já anteriormente tinha falado deste assunto na publicação Conversas de autocarro e deixei esta conversa para contar depois, por ser algo mais sobre mim do que falei anteriormente. Cada vez mais se vê pessoal novo a andar de transportes públicos, mas também os mais idosos continuam cada vez mais a usar estes meios de transporte para se deslocarem. Continuo a dizer que em horas de ponta ODEIO andar de autocarro, nas outras horas também mas principalmente em horas de ponta! 

Naquele dia o autocarro ia com pouca gente, o que não se tornava tão mau para mim ter de estar ali naquele transporte. O senhor que ia ao meu lado já com bastante idade comentava com os seus botões "lá vou eu mais um dia trabalhar" (acho por bem dizer que esse dia era um sábado). Passados uns segundos olha o senhor para mim e questiona-me "e a menina, vai passear ou vai trabalhar?" e eu sorrindo respondi "também vou trabalhar". Lá me diz ele que adora trabalhar, apesar da idade que já tem (que não me disse qual nem eu perguntei como é lógico) porque não se dá parado. No entanto que já como era sábado preferia estar em casa para ajudar a esposa mas que o seu patrão não autorizou. Pelo meio da conversa lá comenta ele que ainda vai almoçar primeiro e só depois trabalhar, que ainda tem tempo. 

A certa altura, ao fim de uns 2 ou 3 minutos em silêncio o senhor pergunta que idade tenho, lá lhe respondi de forma simpática. Confesso que me fez lembrar como se fosse um avô meu, talvez por isso não me limitei apenas a ouvir mas lá lhe ia respondendo. Diz-me o senhor "Tão jovem, já namora?", mal lhe respondo que sim ouço-o dizer-me "escolha bem menina, um rapaz que seja trabalhador e que a trate bem". Achei-lhe piada, claro! Entretanto ouço uma nova pergunta "e bebés a menina quer ter?" e eu respondo que ainda é cedo para pensar nisso que tenho toda uma vida para estabilizar primeiro e diz-me o senhor com um olhar bastante ternurento "claro claro, mas já tem idade para isso e ter um bebé é tão bonito!". Se fosse uma outra pessoa a dizer-me aquilo provavelmente eu agora até me estaria a rir e a dizer "mas que raio, tenho idade para isso mas ainda não é A IDADE, ainda não é A ALTURA". Mas era aquele senhor... com já uma idade visivelmente avançada e aquele olhar ternurento!

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Idas ao médico

por *Márcia S.*, em 11.07.17

Haverá coisa melhor do que ter consulta marcada no médico de família e ser atendida minutos após chegar? Claro que há! Chegar antes da hora marcada e mesmo assim ser atendida em questão de minutos, e ainda conseguir sair antes da suposta hora da consulta. É a segunda vez que me acontece, não posso negar ficar satisfeita com isso, afinal consigo despachar-me antes da hora que esperava. Se fosse sempre assim é que era!

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Conversas de autocarro

por *Márcia S.*, em 08.07.17

Já tinha dito que detesto andar de autocarro? Sinto-me como se estivesse a sufocar, cheia de pessoas em meu redor. De qualquer forma, tive de me habituar a eles, e nos últimos anos (principalmente) aprendi praticamente a andar pela cidade quase toda neles (facilidade de viver numa zona que tem autocarros directos para vários pontos da cidade ou onde posso fazer mudança rápida para outro). Ainda assim, não me fez gostar mais deles, mas o que tem de ser tem muita força. Estava eu a pensar na imensidão de conversas que já ouvi no autocarro quando ia, sozinha a pensar na minha vida no caminho para o trabalho ou a retornar a casa. Desde pessoas que vão ao telemóvel mas que parece que estamos a ouvir a resposta da pessoa do outro lado porque teimam em repetir cada frase que ouvem. Acho que nem se dão conta provavelmente do quão alto estão a falar e que, arrisco mesmo a dizer-me, 90% de quem está no autocarro consegue ouvir toda a conversa.

Depois temos aquelas pessoas que adoram meter conversa com desconhecidos, que depois passam a conhecidos de autocarro. Explicando o que é os "conhecidos de autocarro", aqui há umas semanas tinha eu apanhado o autocarro e vinha no meu cantinho sentada que o caminho ainda era longo devido ao transito na hora de ponta. Uma ou duas paragens após eu ter entrado, entra uma senhora na casa dos seus 60 e tantos anos que me pergunta se pode sentar ao meu lado. Como está claro digo-lhe que sim e continuei nos meus pensamentos "normais". Até que a senhora lá foi conversando comigo, sobre o marido, sobre o filho, a mulher do filho e por aí fora. A certa altura eu já não sabia o que lhe responder e limitei-me a olha-la e ouvir o que ela queria contar. Dias mais tarde volto a cruzar-me com ela no mesmo caminho e a senhor lembrou-se de mim antes mesmo de a olhar dizendo-me "oh menina, é a menina que conversou comigo outro dia não é? está tudo bem?". Recordei-me logo da senhora que falou da sua vida quase toda no espaço de uns 20 minutos.

 

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