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Quando o gelo quebra

por *Márcia S.*, em 16.04.16

Foram vários anos a reconstruir, ou construir, o gelo que me encobria. Barreiras que me protegiam do que, por muito tempo, quis abster-me. Não queria nada de ninguém, independência de todos era o que mais ansiava e precisava para estar feliz. Feliz e sozinha, porque sozinha foi quando consegui ser mais feliz. Com as minhas manias, com as minhas mudanças de humor, com o que fui tendo de bom e mau, mas feliz... acima de tudo feliz. Talvez uma muralha de gelo que protegia o que sempre tive de melhor, e seria por aí que podiam encontrar o meu ponto fraco, o coração. Tudo o que desejei foi que me deixassem ir, seguir o meu destino, seguir o meu caminho sem a influência de ninguém que tentasse tirar de mim a bondade que mantive escondida por em tempos ter sido usada em exagero. Chegara a hora de guardar a bondade para mim, para me tornar numa pessoa melhor sem ninguém que a controlasse por mim. Sempre soube que quem conquistasse esse bichinho tinha tudo de mim, o bloco de gelo que tentei a todo o custo construir em seu redor teria sido o melhor que consegui fazer durante anos e anos. Nunca teria sido derrubado e, quando julguei estar forte o suficiente, parei de o fazer crescer. Ansiei com esse momento, o momento em que de certa forma teria a cabeça a falar mais do que o coração. Afinal, tinha conseguido o que sempre desejei. Consegui torna-lo gelado o suficiente para não lhe chegarem e fui, e continuo a ser, muito feliz todos estes anos. Aprendi, a custo, a confiar mais em mim do que nos outros, só tenho certezas do que eu sou e do que eu sinto. Foram planos elaborados, construídos e até certo ponto bem sucedidos. Já tinha o que desejei e julguei precisar, ser eu e mais ninguém. Sempre desejei estar assim, não depender da opinião de ninguém, não ter de me justificar, não me sentir culpada por eventuais danos causados por mim. Apesar de sozinha nunca me senti muito só, muito menos carente de nada, era a "vida que eu escolhi" e sempre me convenci disso.

Por vezes tudo muda, houve quem aparecesse e desaparecesse num abrir e fechar de olhos. Houve quem eu julguei que podia descobrir o que eu escondia e, de certa forma combater-me. Tudo passou e continuei o que sempre tinha ansiado. Mas, por momentos, o gelo quebrou. Ficou a descoberto o meu ponto fraco e acho que lhe perdi o jeito. Acho que perdi o jeito para voltar a reconstruir tal barreira.

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8 comentários

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De Andy Bloig a 16.04.2016 às 14:03

Não lhe chames nomes... chama-lhe Casquinha de noz. Estará lá sempre que precises dela.
Podes deixá-la de lado durante uns tempos sem teres problemas. A vida é uma aventura, muitas vezes terás de te esquecer que estás protegida com essa casquinha.
A forma como a aprendes a maniatar é que evoluí conforme vais descobrindo outros usos para ela.
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De *Márcia S.* a 16.04.2016 às 15:37

ahah talvez, talvez... :)
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De Sr. Solitário a 16.04.2016 às 15:44

Que texto bonito
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De *Márcia S.* a 16.04.2016 às 17:42

Obrigada :D
Bom fim de semana.
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De Melhor Amiga Procura-se a 16.04.2016 às 17:00

Nunca se perde jeito.... Hoje pode parecer que sim porque estamos mais sensíveis
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De *Márcia S.* a 16.04.2016 às 17:42

Sim, também pode ser isso :)
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De Carlos a 16.04.2016 às 21:56

Belo texto.
Muitas vezes as barreiras que erguemos, podemos pensar ser para o nosso bem e estabilidade mas ao mesmo tempo não nos deixa viver e aprender!
Abaixo as barreiras.
Bom domingo.
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De *Márcia S.* a 17.04.2016 às 10:21

Obrigada.
Também é uma grande verdade.
Obrigada, bom domingo! :)

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